Rio Arade que alguém chamou D`ouro...
Quem conhece o Parchal, sabe o quanto esta terra tem tido, desde sempre, uma forte ligação com o ambiente marinho que a rodeia - falo-vos do Rio Arade.
Sendo esse curso de água a fronteira natural entre o Concelho de Lagoa e o de Portimão, e ficando o Parchal situado na sua margem esquerda, como quem desce daquela que já foi "do Reino dos Algarves" a Capital - Silves, em direcção ao mar, por onde em tempos que já lá vão navegaram piratas e mercadores, neste que foi um dos mais importantes cursos de água do Sul de Portugal.
Aqui, neste lençol de água, não á muitos anos atrás, homens da aldeia e das terras vizinhas ganhavam o pão do dia-a-dia na apanha da ameijoa, uns com água pelo peito, com o "joeiro" ( caixa de madeira com fundo de rede de arame e dois braços laterais ) para dentro do qual cavavam o lôdo misturado com tudo o que do fundo do rio podiam extrair, para depois, escolherem as ameijoas judias e cristãs, que lhes davam algumas "notas de conto" ao fim da jornada diária da maré. Estes, com os joeiros, só podiam exercer a sua actividade durante a maré baixa, pois trabalhavam cavando dentro de água.
Depois haviam outros que, sendo possuidores de lanchas de madeira (como a da foto abaixo), usavam o "arrasto de varas", ferramenta de ferro em forma triangular e dentada, colocada na ponta de duas ou três varas unidas entre si, e composta ainda por um saco de rede para o qual era "arrastado" o "fundo do rio", para que depois da "sacada", pudesse ser lavado e escolhidas as tão esperadas ameijoas, que durante muitos anos fizeram as delicias dos turistas portugueses e estrangeiros que enchiam por completo qualquer restaurante ou marisqueira que por este Algarve proliferaram.
Esses "mariscadores", retiravam literalmente sacas cheias do fundo ludôso do Arade, e durante alguns anos ganharam a vida fizesse chuva, frio ou sol, e muitos até construiram boas e bonitas casas na vizinhança.
Mais tarde, apareceu o "sarilho" - (nada desse sarilho em que hoje o Arade está votado), mas mais uma invenção dos homens para poderem retirar ao rio maior quantidade de marisco. Básicamente, era composto pelo "arrasto" de ferro maior que o de varas, e por um rôlo de madeira instalado no meio do barco, onde era enrrolado o cabo que ligava ao arrasto e o fazia varrer o fundo para dentro do "saco de rede", sendo depois içado para lavagem e escolha do marisco, do meio de cascalho e de tudo o que o fundo do rio apanhou ao longo dos tempos.
Este processo fazia com que o rendimento diário quadriplicasse ou até mais, consuante o local e a "sorte do artista".
Belos tempos esses em que com uma simples caixa de madeira com fundo de rede e uma enchada, tambem eu retirei alguns quilos de ameijoas deste rio, para ter dinheiro para ir ao cinema do Parchal e até comprar um maçito de "mata-ratos" para dar uma fumada ás escondidas dos mais velhos, dentro do velho autocarro abandonado junto á Sifop.
Lancha de madeira utilizada na apanha da ameijoa e na pesca artesanal - (foto: cuco)
Sendo esse curso de água a fronteira natural entre o Concelho de Lagoa e o de Portimão, e ficando o Parchal situado na sua margem esquerda, como quem desce daquela que já foi "do Reino dos Algarves" a Capital - Silves, em direcção ao mar, por onde em tempos que já lá vão navegaram piratas e mercadores, neste que foi um dos mais importantes cursos de água do Sul de Portugal.
Aqui, neste lençol de água, não á muitos anos atrás, homens da aldeia e das terras vizinhas ganhavam o pão do dia-a-dia na apanha da ameijoa, uns com água pelo peito, com o "joeiro" ( caixa de madeira com fundo de rede de arame e dois braços laterais ) para dentro do qual cavavam o lôdo misturado com tudo o que do fundo do rio podiam extrair, para depois, escolherem as ameijoas judias e cristãs, que lhes davam algumas "notas de conto" ao fim da jornada diária da maré. Estes, com os joeiros, só podiam exercer a sua actividade durante a maré baixa, pois trabalhavam cavando dentro de água.
Depois haviam outros que, sendo possuidores de lanchas de madeira (como a da foto abaixo), usavam o "arrasto de varas", ferramenta de ferro em forma triangular e dentada, colocada na ponta de duas ou três varas unidas entre si, e composta ainda por um saco de rede para o qual era "arrastado" o "fundo do rio", para que depois da "sacada", pudesse ser lavado e escolhidas as tão esperadas ameijoas, que durante muitos anos fizeram as delicias dos turistas portugueses e estrangeiros que enchiam por completo qualquer restaurante ou marisqueira que por este Algarve proliferaram.
Esses "mariscadores", retiravam literalmente sacas cheias do fundo ludôso do Arade, e durante alguns anos ganharam a vida fizesse chuva, frio ou sol, e muitos até construiram boas e bonitas casas na vizinhança.
Mais tarde, apareceu o "sarilho" - (nada desse sarilho em que hoje o Arade está votado), mas mais uma invenção dos homens para poderem retirar ao rio maior quantidade de marisco. Básicamente, era composto pelo "arrasto" de ferro maior que o de varas, e por um rôlo de madeira instalado no meio do barco, onde era enrrolado o cabo que ligava ao arrasto e o fazia varrer o fundo para dentro do "saco de rede", sendo depois içado para lavagem e escolha do marisco, do meio de cascalho e de tudo o que o fundo do rio apanhou ao longo dos tempos.
Este processo fazia com que o rendimento diário quadriplicasse ou até mais, consuante o local e a "sorte do artista".
Belos tempos esses em que com uma simples caixa de madeira com fundo de rede e uma enchada, tambem eu retirei alguns quilos de ameijoas deste rio, para ter dinheiro para ir ao cinema do Parchal e até comprar um maçito de "mata-ratos" para dar uma fumada ás escondidas dos mais velhos, dentro do velho autocarro abandonado junto á Sifop.
Lancha de madeira utilizada na apanha da ameijoa e na pesca artesanal - (foto: cuco)

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