sexta-feira, janeiro 30, 2009

Sifop...

Quem não conheceu a famosa SIFOP...
( Sociedade Industrial de Farinhas e Óleos de Peixe )

Ainda hoje, parece que tenho entranhado nas narinas o cheiro caracteristico daquela unidade fabril de farinhas e óleos de peixe, que durante vários anos laborou, a par com as fábricas de conservas de peixe, no Parchal. Situada junto ao rio Arade, esta era uma das duas unidades fabris deste tipo localizadas nesta freguesia. A outra era a fábrica "do Aleixo" situada naquele que é hoje o limite da freguesia do Parchal com a freguesia de Estômbar, a caminho da Mexilhoeira da Carregação.

Da Sifop, sairam muitos camiões de sacas de farinha e cisternas de óleos de peixe, mas como tudo na vida, teve o seu fim com o encerramento das fábricas de conservas de sardinha e biqueirão dos concelhos de Lagoa e Portimão, principais fornecedores de matéria prima para este tipo de unidade industrial.

Como recordo o transporte do peixe das referidas fábricas no velhinho camião conduzido pelo José Vicente, que ia largando pela via pública a água e o sangue das cabeças de peixe, que depois de sofrerem a respectiva transformação, saiam em sacas de farinha para a indústria alimentar e rações para animais.

Para além desse transporte, o peixe também chegava á fábrica de barco, nas famosas "enviadas", que eram embarcações mais pequenas que as traineiras e que davam apoio ás mesmas, servindo como transporte do pescado do mar alto para a lota. Quando a pescaria era boa, o mercado estava saturado e aí, era ve-las a subir o Arade em direcção à Sifop ou ao Aleixo.

Estas duas unidades fabris, possuiam um cais próprio de descarga para estas embarcações: nada mais nada menos do que uma ponte metida ao rio, com uma casa de máquinas onde estava o "chupador" que sugava o pescado misturado com água dos porões dos barcos, sendo conduzido por meio de um tubo metálico - tipo canalização - para dentro da fábrica a fim de ser transformado.

Velhinha ponte do chupador já degradada... (foto: cuco )
Para além disso, a ponte servia para as famosas pescarias á liça e ao caranguejo, e para as sessões de mergulhos onde os mais afoitos se lançavam do cimo da casinha da foto, e até do cimo do chupador.
Mais recordações virão oportunamente...

Rio Arade que alguém chamou D`ouro...

Quem conhece o Parchal, sabe o quanto esta terra tem tido, desde sempre, uma forte ligação com o ambiente marinho que a rodeia - falo-vos do Rio Arade.
Sendo esse curso de água a fronteira natural entre o Concelho de Lagoa e o de Portimão, e ficando o Parchal situado na sua margem esquerda, como quem desce daquela que já foi "do Reino dos Algarves" a Capital - Silves, em direcção ao mar, por onde em tempos que já lá vão navegaram piratas e mercadores, neste que foi um dos mais importantes cursos de água do Sul de Portugal.

Aqui, neste lençol de água, não á muitos anos atrás, homens da aldeia e das terras vizinhas ganhavam o pão do dia-a-dia na apanha da ameijoa, uns com água pelo peito, com o "joeiro" ( caixa de madeira com fundo de rede de arame e dois braços laterais ) para dentro do qual cavavam o lôdo misturado com tudo o que do fundo do rio podiam extrair, para depois, escolherem as ameijoas judias e cristãs, que lhes davam algumas "notas de conto" ao fim da jornada diária da maré. Estes, com os joeiros, só podiam exercer a sua actividade durante a maré baixa, pois trabalhavam cavando dentro de água.

Depois haviam outros que, sendo possuidores de lanchas de madeira (como a da foto abaixo), usavam o "arrasto de varas", ferramenta de ferro em forma triangular e dentada, colocada na ponta de duas ou três varas unidas entre si, e composta ainda por um saco de rede para o qual era "arrastado" o "fundo do rio", para que depois da "sacada", pudesse ser lavado e escolhidas as tão esperadas ameijoas, que durante muitos anos fizeram as delicias dos turistas portugueses e estrangeiros que enchiam por completo qualquer restaurante ou marisqueira que por este Algarve proliferaram.
Esses "mariscadores", retiravam literalmente sacas cheias do fundo ludôso do Arade, e durante alguns anos ganharam a vida fizesse chuva, frio ou sol, e muitos até construiram boas e bonitas casas na vizinhança.

Mais tarde, apareceu o "sarilho" - (nada desse sarilho em que hoje o Arade está votado), mas mais uma invenção dos homens para poderem retirar ao rio maior quantidade de marisco. Básicamente, era composto pelo "arrasto" de ferro maior que o de varas, e por um rôlo de madeira instalado no meio do barco, onde era enrrolado o cabo que ligava ao arrasto e o fazia varrer o fundo para dentro do "saco de rede", sendo depois içado para lavagem e escolha do marisco, do meio de cascalho e de tudo o que o fundo do rio apanhou ao longo dos tempos.
Este processo fazia com que o rendimento diário quadriplicasse ou até mais, consuante o local e a "sorte do artista".

Belos tempos esses em que com uma simples caixa de madeira com fundo de rede e uma enchada, tambem eu retirei alguns quilos de ameijoas deste rio, para ter dinheiro para ir ao cinema do Parchal e até comprar um maçito de "mata-ratos" para dar uma fumada ás escondidas dos mais velhos, dentro do velho autocarro abandonado junto á Sifop.


Lancha de madeira utilizada na apanha da ameijoa e na pesca artesanal - (foto: cuco)


"o descanso ou o fim..." - (foto: cuco)

Mas sobre estas e outras façanhas, logo vos trago mais recordações...

quinta-feira, janeiro 29, 2009

De Volta...

Olá Amigos e Amigas, Parchalenses e não só, mas acima de tudo Amigos desta pequena "Vila" que aprendemos a Amar !

Ao fim de muito tempo de ausência, resolvi voltar á blogosfera, para recomeçar a escrever sobre esta terra que me acolheu já lá vão alguns anos, e na qual tenho orgulho em ter sido criado, que é como se nela tivesse nascido - esta é realmente a minha terra - este é realmente o "Meu Parchal".

A partir de agora, irei sempre que possivel, mas regularmente, trazer até aqui, não só textos descritivos desta minha terra, como algumas fotos actuais e antigas, para que em conjunto possamos recordar como era a Aldeia do Parchal, mas também para verificarmos como tem sido o seu desenvolvimento ao longo dos anos.

O que de bom foi surgindo, e, também o que de menos bom foi feito para modificar a nossa terra irá certamente dar-vos a conhecer esta pequena "aldeia do Parchal" já com estatuto de Vila, mas que até possuir todas as valências de uma verdadeira Vila, muito terá que transpirar, e acima de tudo Reivindicar.

Espero poder vir a ser útil com a criação deste espaço, onde possa vir a mostrar "Como é Bom Viver no Parchal"... e conto com os vossos comentários para poder dia-a-dia melhorar este sitio da net de divulgação desta terra que a tantos apaixona do "lado de cá do Arade".

Bem Hajam...

terça-feira, outubro 17, 2006

Um pouco de História...

Parchal - Vista panorâmica

Parchal e porto de pesca - Vista Panorâmica

Situada na margem esquerda do Rio Arade e desanexada de Estômbar em 20 de Junho de 1997, a freguesia do Parchal é a mais recente do concelho de Lagoa estendendo-se por uma área de 4,5 quilómetros quadrados. O topónimo Parchal parece derivar de Parchel ou Praxel, nome que designava o antigo convento Franciscano situado na vizinha povoação do Calvário, na freguesia de Estômbar. O vocábulo Praxel, que advém do árabe, significa lugar alagado ou alagadiço, precisamente como se encontravam as terras do Parchal nas suas origens, constantemente invadidas pelas marés do Rio Arade. Mas antes da actual designação, foi também conhecida por Aldeia dos Cucos, numa referencia popular à família Cuco, uma das primeiras a instalar-se no Parchal.A agricultura rudimentar e familiar primeiro, e a pesca e a indústria conserveira depois, foram os pólos de atracção para a criação de um primeiro núcleo habitacional localizado defronte a Portimão e ligado a esta urbe pela então, nova ponte do Rio Arade. No apogeu da actividade piscatória e da indústria conserveira, instalaram-se no território que corresponde actualmente à freguesia, diversas fábricas que representavam emprego e atraíam cada vez mais gente ao local. Quando em meados da década de 70, a indústria conserveira entrou em declínio, o Parchal era já um espaço habitacional consolidado, com forte ligação a Portimão, onde considerável parte da sua população desempenhava actividades ligadas à pesca, ao comércio e serviços.Entretanto a Revolução de Abril de 1974, trazia novos ventos, novas perspectivas e exigências, de entre elas, o direito à habitação digna e de acordo com as necessidades das famílias. Em consequência disso, um grupo de Parchalenses trouxe para o Parchal, um núcleo da então criada em Lagoa, Cooperativa de Habitação Económica Lagoense, que viria a ter um papel fundamental no desenvolvimento urbanístico e económico que o Parchal conhece hoje.A criação da freguesia em Junho de 1997 e a elevação à categoria de vila em Abril de 2001 foram o justo reconhecimento do extraordinário desenvolvimento e de todas as potencialidades e perspectivas que se abrem ao Parchal.